Coleções

O acervo do Museu de Anatomia Veterinária conta com cerca de mil exemplares. Formado ao longo dos anos, ele é resultado de trabalhos de pesquisa, ensino, doações e permutas, composto por esqueletos, animais taxidermizados, órgãos e estruturas anatômicas de diversos animais. São 237 espécies representadas, a grande maioria é de mamíferos, havendo, entre estes, representantes aquáticos, voadores, marsupiais, carnívoros, roedores, equídeos, bovídeos, suídeos e primatas, incluindo a espécie humana. Há também diferentes espécies de aves, répteis, anfíbios, peixes, crustáceos e até insetos. Além disso, estão expostos modelos didáticos para ensino de anatomia e fisiologia.

A maior parte das coleções está relacionada à anatomia veterinária, mas a organização do acervo na exposição do Museu permite abordar os diferentes campos de conhecimento da Medicina Veterinária, Biologia e Biociências, tais como produção de alimentos, bem-estar animal, saúde, origem e evolução das espécies, dentre muitas outras possibilidades.

Isso demonstra não só a riqueza do acervo do Museu, como também a importância da representatividade de espécimes e exemplares salvaguardadas e divulgadas por meio do Programa de Comunicação do MAV.

 

Crânios de araçari-poca. Fotografia: Wagner de Souza e Silva.
Conjunto de cinco exemplares preparados com diferentes técnicas de conservação. Fotografias: Wagner Souza e Silva.

Técnicas de demonstração de anatomia dos animais

O estudo anatômico é importante para as áreas médicas e depende, em grande parte, da dissecção de animais que morrem por doenças ou causas naturais. As peças anatômicas assim obtidas e conservadas são fundamentais como materiais de pesquisa e ensino. No caso de ossos e esqueletos, utilizamos técnicas específicas, conhecidas como osteotécnicas. Na conservação a seco, por exemplo, é necessária a maceração dos tecidos moles para limpeza completa dos ossos, que depois são clareados, desengordurados e postos a secar. Quando secos, os ossos podem ser guardados isolados ou pode-se proceder à montagem de esqueletos completos. Podemos ainda utilizar outras preparações, como a descalcificação e a diafanização.

Para estudar o coração, após a dissecção, que consiste na separação ou exposição da parte do corpo de um animal, há diversas técnicas para preparação e conservação. A técnica é escolhida de acordo com o estudo que se deseja desenvolver, por exemplo:

– Manutenção da forma e do aspecto do coração: fixação;

– Estudo das cavidades do coração: modelagem;

– Estudo de estruturas internas por transparência: diafanização;

– Estudo da distribuição de vasos em órgãos: injeção vascular associada a dissecção, diafanização ou corrosão.

Órgãos maciços geralmente são preparados por dissecção e fixação. Em rins, o conjunto de vasos sanguíneos pode ser evidenciado por injeção de látex. E a posterior corrosão do tecido resulta em uma delicada estrutura plástica que indica a grande quantidade de capilares do órgão. Órgãos ocos, como estômago e intestino, podem ser conservados a seco. Pulmões também podem ser conservados a seco. A árvore brônquica que chega aos pulmões pode ser evidenciada por injeção de látex.